Já que os problemas de Ilhéus nós sabemos de cor e salteado, vamos então as sugestões, pois quem sabe assim, sensibilizem os corações de mármores dos atuais donatários da nossa cidade. Assim como a Avenida Soares Lopes poderia ser o cartão de visita de Ilhéus, a central de abastecimento do Malhado (CAM) é o centro de congruências de culturas, negócios e pessoas de todas as localidades do município de Ilhéus e região. Pode-se seguramente dizer que na ‘Feira do Malhado’ se encontram significativas amostragens de todas as classes sociais ilheenses, bem com seus costumes, hábitos, linguajares etc. Contudo, diante do que se ver nesse local, a única palavra que pode defini-lo é descaso. Descaso governamental, descaso social, descaso público. O CAM é uma vergonha para os ilheenses e principalmente para os turistas que precisam comprar produtos típicos ou naturais em nossa cidade. A central de abastecimento do Malhado fede, enoja, entristece e menosprezas seus comerciantes, visitantes e clientes. Todo o povo de Ilhéus sabe disso, menos o prefeito e vereadores ilheenses. Ninguém até hoje consegue entender com uma obra tão bem estruturada e otimamente localizada, se transformou num local de degradação social. O CAM tinha e tem tudo para ser um centro comercial de sucesso em nossa cidade. Todavia, – com todo o respeito às pessoas que mercam ou circulam por esse local -, o que se ver no CAM é a vergonha social em toda a amplidão deste termo.
Observada de um avião, a central de abastecimento do Malhado mais parece uma favela de um país em guerra secular. Andar nos seus corredores é o mesmo que se aventurar pelos nefastos becos das cidades medievais. Nas áreas de cargas e descargas, pessoas, urubus, cachorros e vermes convivem no mesmo chão sujo, imundo e inumano. Os Box’s não têm uniformidades e mais parecem tendas de mascates do século XVII. Higiene é palavra excluída do seu vocabulário. Segurança não há em nenhum local e hoje o CAM é o campeão de ocorrências policiais da cidade de Ilhéus. Diante desse triste quadro, devemos nos perguntar: o que fazer com o CAM? A resposta parece simplória, mas se bem executada dará ótimo resultado. Essa resposta é uma faxina geral.
Assim como se toma um purgante para limpar o corpo, se deve fazer uma faxina geral na central de abastecimento do Malhado. A prefeitura municipal deve encabeçar esse mutirão e definir que o CAM ficará fechado por 03 dias (segunda, terça e quarta-feira). Sendo que na verdade, no domingo anterior, a partir das 20 horas se inicia essa limpeza geral ininterrupta. Os comerciantes locais sabem muito bem que 03 dias com os seus estabelecimentos fechados para esse propósito não lhe darão nenhum prejuízo que não possa ser recompensado pelos resultados obtidos. Eu tenho certeza que a maioria deles se engajará nessa proposta e, diante da limpeza geral do CAM, também darão novas caras aos seus locais de trabalhos e sustentos.
O ex-prefeito Antônio Olímpio quando construiu o CAM jamais acreditou que o local iria chegar nesse ponto de degradação social. Em 1981 quando se demoliu o Mercado Municipal de Ilhéus que ficava na Avenida Dois de Julho e transferiu a sua feira para o CAM, se acreditava que essa obra seria um marco para a evolução econômica e social de Ilhéus. O CAM precisa sim de reformas estruturais e conceituais em todo o seu entorno. Contudo, nada é mais importante, crucial, imediato e urgente de que essa faxina geral. Mesmo que existam projetos e mais projetos para reestruturar a central de abastecimento do Malhado, eu acredito que o mais importante é cuidar do melhor projeto de Deus que é o ser humano e esse, como tal, circula, comercializa e muitos até vivem literalmente dentro do CAM, em Ilhéus.
Eu sei que essa minha sugestão não é fácil para ser implantada. Porém não é impossível. Mas o mais difícil será fazer os governantes ilheenses entenderem que eleitores são seres humanos e esses merecem no mínimo respeito e dignidade. Coisas, por sinal, que não se ver em nenhum canto da atual central de abastecimento do Malhado.


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